Estrangeiros lideram fusões e aquisições no Brasil
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Entre os meses de janeiro e março, dos quase duzentos negócios fechados, 167 tiveram a origem do capital identificado. Destes, os investidores estrangeiros participaram de 51% dos negócios e os nacionais ficaram com 49%, segundo Relatório de Fusões e Aquisições da PricewaterhouseCoopers (PWC).

 

Segundo afirma Rogério Gollo, sócio da PwC Brasil e em líder em fusões e aquisições, o principal fator que explica esse movimento é a valorização do dólar em relação à moeda nacional, que neste ano acumulou alta de quase 14%.  "Neste momento, os preços em dólar ficaram mais razoáveis para os estrangeiros. O Brasil é um país caro, mas agora é menos caro em dólar", 

 

Um dos principais receios dos investidores é finalizar a compra de uma empresa e logo em seguida vir o arrependimento, constatando que poderiam ter investido menos tendo em vista uma ainda maior depreciação do real.

 

Além segundo Gollo "Tem muito dinheiro circulando no mundo à procura de oportunidades de investimento e o Brasil, apesar de não estar entre as principais oportunidades, é uma delas." observando que a liquidez de recursos é muito grande hoje no mercado financeiro internacional.

 

O sócio da PwC acredita que a tendência de avanço dos investidores estrangeiros nas fusões e aquisições deve se manter acelerada, não só pelos efeitos do câmbio mas também pela tendência de os investidores ficarem mais confiantes à medida que o ajuste fiscal for sendo implementado e que uma agenda positiva de investimentos for sendo colocada em prática.

 

Entre nacionais e estrangeiros, só no mês de março foram fechados 75 negócios de fusões e aquisições, um número 19% maior do que no mesmo mês do ano passado. Em março deste ano foi fechado o maior número de fusões e aquisições desde 2010. Naquele ano foram 83 negócios.

 

Gollo explica que vários eventos de 2014, como Copa do Mundo, eleições e escândalos de corrupção represaram o fechamento de muitos negócios. O resultado foi que eles acabaram sendo concluídos no 1º trimestre, especialmente no mês passado. Para o ano inteiro de 2015, o sócio da PwC acredita que haverá crescimento de 10% no número de transações em relação ao ano passado, quando foram concluídas 879 transações de fusões e aquisições.

 

Mesmo superada boa parte da crise de confiança que adiou o fechamento de negócios, os investidores continuam cautelosos. Tanto é que a maioria das transações concluídas no 1º primeiro trimestre (47,1%) foi de participações minoritárias. "Os investidores estão vindo primeiro para conhecer o mercado brasileiro, adquirindo parcelas menores das empresas. Eles são novos entrantes que querem experimentar o mercado", diz Gollo. O estudo mostra também que a compra do controle acionário, modalidade de negócio que sinaliza uma aposta mais firme da parte do investidor, respondeu por 41,3% dos negócios fechados entre janeiro e março.

 

Em relação aos setores, as empresas de Tecnologia da Informação (TI) lideraram o ranking em número de negócios fechados no mês passado. Foram 40 transações, ante 28 em março de 2014. "TI tem liderado o ranking de segmentos nos últimos quatro anos e deve se manter na primeira posição", prevê Gollo.

 

Ele baseia o seu prognóstico no fato de que há um grande número de empresas prestadoras de serviços de TI no País com faturamento anual abaixo de US$ 100 milhões. "Há poucos grandes players e muitos pequenos, o que abre espaço para consolidação nesse setor." Gollo lembra que pequenas empresas localizadas em polos de tecnologia, como Campinas (SP) e São Carlos (SP), ficaram mais atraentes para os investidores.

 

A previsão da PwC para os próximos meses é de que o setor de saúde ganhe destaque nas transações de fusão e aquisição, depois que a legislação permitiu a entrada de empresas de capital estrangeiro no segmento. 

 

Fonte: Folha Vitória. 



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